Eis que acabo de ler meu livro presente de natal, aliás só terminei agora porque tinha aquele verdadeiro Tratado sobre a China que me impus a ler (prazeirosamente) na frente...Minha irmã presenteou-me com Reparação de Ian McEwan, confesso que apressei minha leitura quando descobri ser o livro que inspirou o filme Desejo e Reparação (tenho esse hábito fútil de estar por dentro dos modismos, quase me envergonho de dizer mas, me obriguei a assistir o high school musical só para estar por dentro desse fenomêno contemporâneo...).
Reparação é um história sobre culpa, uma menina que recorre à fantasia de sua imaginação e cria uma história trágica que incrimina um inocente. As consequências são irreparáveis...
Sempre achei que mesmo criança a gente tem muita consciência do que faz , e comprovo isso todos os dias com a presença de Lívia, minha sobrinha, ela sabe exatamente discernir o certo do errado mesmo tendo apenas 4 anos, aliás adoro espezinhá-la quando comete algum pequeno delito infantil, para vê-la mortificada pela culpa... Lembro-me que quando eu tinha 8 anos, tinha acabado de mudar de escola, e minha professora copiou na lousa um texto: “meu primeiro dia de aula”, lembrava uma redação ginasial, detalhava de maneira graciosa a experiência do primeiro dia aula, com todas as descobertas, novos amigos, novos conhecimentos a serem adquiridos ao longo de um ano maravilhoso, etc. Cheguei em casa e meu pai foi ver o que eu tinha feito no primeiro dia de aula e ao ler aquela redação impecável, adorável, espiritosa perguntou-me empolgadamente se tinha sido eu a autora daquele texto tão encantador, ele ansiava tanto que minha resposta fosse positiva que, não resisti e comovida menti que sim, então começou o meu calvário, meu pai fez questão de ler em voz alta para minha mãe e meus três irmãos, recriminando-os por nunca terem trazido para casa um texto tão enternecedor. Meus irmãos por detrás atormentavam-me com acusações do meu óbvio plágio, mas meu pai a cada dia mais orgulhoso do prodígio de sua filha caçula, pediu- me para levar meu caderno para seu serviço afim de que seus colegas lessem minha redação brilhante, á noite ele voltava relatando os comentários impressionadíssimos de seus colegas.Fiquei dias sem conseguir dormir e meus irmãos sempre que tinham oportunidade faziam comentários sádicos sobre a incerteza de minha autoria. Passei noites e noites esperando que se passassem logo os anos e ninguém descobrisse minha mentira até que tudo fosse esquecido. Mas meu pai sempre que meus irmãos se saíam mal na escola trazia à memória minha célebre redação...
Um dia corroída pela culpa, pela minha insidiosa mentira, não supertando o peso da farsa, confessei a verdade, enfrentei a decepção do meu pai e a chacota de meus irmãos...não lembro de posteriores desdobramentos, lembro só que dormi aliviada aquela noite...
Agora só para contextualizar meu dia hoje foi anunciada a grande vencedora do Carnaval 2008 São Paulo: Vai- Vai.


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