Private Joke

o diário de Elaine Melo

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Minhas arqui-rivais girafuda, nariguda, e a flautista...

Há algum tempo atrás, em um café filosófico o tema era “a paixão”, e segundo o então filósofo presente a paixão se fundamentava em três características, eram (são) elas: o objeto da paixão é sempre algo desejável, próximo e inatingível. Pois bem, no decorrer da minha existência sempre tive paixões inatingíveis por pessoas próximas , entre as quais se destacam aquelas em que os principais empecilhos eram respectivamente a girafuda, a flautista e a nariguda. Sempre me confortou o fato de eu podê-las ridicularizá-las pelas suas mais proeminentes imperfeições. A girafuda por exemplo, no meu íntimo era a que eu mais secretamente invejava, até pelo meu complexo de altura, mas sempre foi-me um consolo imaginar que no fundo ela não passava de uma desengonçada, bonecão de Olinda. A segunda, a flautista já era mais complicado, ela não tinha nenhuma característica física que a comprometesse, eu costumava chamá-la também de sombrancelhuda, mas pra mim sombrancelha grossa é o máximo (reflexo do meu complexo de sombrancelha fina) então detive-me no fato dela tocar um instrumento rídiculo, com timbre irritante e tido sempre como um elemento complementar nas orquestras. Mas a vida dá voltas e acabei me apaixonando pela flauta doce, obra do Fellini que em seu “Ensaio de Orquestra” retratou as flautistas como malucas excêntricas, bem ao meu gosto. Na verdade acho que aprendi a tocar flauta por despeito mesmo. E por fim a nariguda, é tão alentador ter como rival uma nariguda, ainda mais pra mim que fui alimentada pelas piadas mais engraçadas do clássico Cyrano de Bergerac, deixo esse post incompleto porque quero transcrever aqui o memorável trecho em que Cyrano desafia seu oponente fazendo piadas a respeito de seu próprio nariz e finalizando cada piada com um toque de sua espada no corpo de seu rival, e rimando ainda por cima ,completa humilhação... Mas é sempre assim, as narigudas sempre são mais esforçadas no estudo ou mais engraçadas pra compensar. Mas enfim, sempre penso no schopenhauer nessas horas, ele que teorizava que o amor, a paixão, não passavam de um impulso biológico, a verdade é que o que a gente quer mesmo é ter filhos perfeitos, ninguém quer correr o risco de passar pra sua prole genes de narigudas e girafudas por mais que elas saibam tocar flauta bem, isso me serviu de esperança...

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Uau, surpreendente seu post! Quantas revela�es! E voc� escreve bem demais, menina! Beij�o, Elaininha!

6:48 PM  
Blogger Roberto Reiniger disse...

Eu não sabia que você estava por aqui...

Pode fazer um link para o meu blog já!

http://takedois.blogspot.com

Bjos!

3:39 PM  

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